NR-01 e fatores psicossociais no comércio exterior: por onde começar?Publicado em 27/08/2026 Por Fabíola Costa e Silva, da RHOPEN ConsultoriaDeadlines de embarque, retenção de cargas, risco de multas aduaneiras, plantões em diferentes fusos e pressão contínua por respostas imediatas. Quem atua no ecossistema do Comércio Exterior conhece de perto essa rotina intensa. Mas uma pergunta tem desafiado cada vez mais as lideranças do setor: quando essas características operacionais deixam de ser apenas "o ritmo do negócio" e passam a representar um risco à saúde ocupacional? Com a inclusão e o fortalecimento do tema na NR-01 (Gerenciamento de Riscos Ocupacionais – GRO / PGR), essa reflexão não é apenas uma boa prática: tornou-se parte essencial da gestão estratégica e de conformidade das empresas. O que revelam os dados do setor Uma recente pesquisa realizada com empresas associadas ao Sindiex trouxe um panorama das principais fontes de desgaste no segmento:
No entanto, o dado mais revelador foi sobre a maturidade do processo: 3 em cada 5 empresas relataram que a principal dificuldade é saber exatamente como identificar, mensurar e documentar os riscos psicossociais na prática. Primeiro passo: virar a chave da abordagem O erro mais comum ao tratar o tema é confundi-lo apenas com ações individuais de "saúde mental".Gerenciar riscos psicossociais no GRO não é tentar descobrir quem está estressado ou oferecer apenas palestras motivacionais. O foco deve estar nas condições e na organização do trabalho. Em vez de perguntar:
Para sair da teoria e estruturar um gerenciamento consistente no Comex, siga este ciclo: 1. Governança multidisciplinar: RH não faz isso sozinho. Envolva lideranças operacionais, SESMT/SST, Saúde Ocupacional e CIPA. 2. Mapeamento do trabalho real: Analise os fluxos reais de importação/exportação, gargalos, distribuição de carteiras, plantões e níveis de autonomia. 3. Escuta estruturada: Questionários auxiliam, mas grupos focais, entrevistas e indicadores (turnover, absenteísmo, horas extras) trazem o diagnóstico real. (Lembre-se: rodar uma pesquisa isolada não significa cumprir a NR-01). 4. Foco na fonte do perigo: Substitua termos genéricos como "estresse" pela causa raiz. Exemplo: Fator: Sobrecarga de trabalho Fonte: Concentração de deadlines e acúmulo simultâneo de processos de desembaraço Grupo exposto: Equipe operacional de importação 5. Avaliação e priorização: Estabeleça matriz de risco para definir o que exige intervenção imediata e o que é de médio prazo. 6. Integração ao PGR: As melhorias devem integrar o Plano de Ação (revisão de dimensionamento, redistribuição de contas, alinhamento de fluxos de escalonamento e regras de comunicação fora do expediente). 7. Monitoramento de eficácia: Acompanhe se o risco foi de fato mitigado: as horas extras caíram? O clima operacional melhorou? IDENTIFICAR ? AVALIAR ? PRIORIZAR ? AGIR ? MONITORAR ? REAVALIAR O Caso Real de uma Trading: Ação que Gera Resultado Imagine uma equipe que convive com retenções frequentes de cargas, gerando jornadas prolongadas e mensagens fora do expediente.
Para refletir na sua empresa Antes de contratar ferramentas ou formulários prontos, leve três perguntas para a sua próxima reunião de gestão: 1. O que na organização do nosso fluxo de Comex pode representar sobrecarga ou risco? 2. Quais equipes estão mais expostas e qual a gravidade dessa exposição? 3. Quais ajustes práticos em . processos, prazos e dimensionamento precisamos implementar? Quando essas respostas se convertem em ações integradas ao Inventário de Riscos e ao PGR, a NR-01 deixa de ser uma mera obrigação regulatória e se consolida como uma alavanca de produtividade, retenção de talentos e sustentabilidade do negócio. |
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