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Retomada da economia argentina abre novas oportunidades para exportação de empresas brasileiras

Publicado em 20/06/2022

Na última quinta-feira (09), a Agência Brasileira de Promoção da Exportação e Investimento (ApexBrasil) realizou o webinar "Direto do Mercado - América do Sul", desta vez sobre o mercado argentino. O evento é o segundo da websérie que apresenta os potenciais mercados da região sul - americana a empresas brasileiras interessadas em executar planos de expansão internacional.

O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina, que é hoje a trigésima maior economia do mundo. No ano passado, a Argentina teve um PIB de US$ 455 bilhões, o segundo maior da América do Sul. O país tem a terceira maior população sul-americana. "Ou seja, não é um mercado a ser desprezado pelo o produtor brasileiro", afirmou o analista da Coordenação de Inteligência de Mercado da ApexBrasil, Eduardo Palma de Seixas em sua explanação sobre o país vizinho.

"O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina, somadas as importações e exportações. Do lado brasileiro, a Argentina é o terceiro maior parceiro comercial do nosso país. Tivemos um comércio bilateral de quase US$ 24 bilhões em 2021, um valor considerável, porém ainda aquém dos números da década passada. Em 2011, por exemplo, a corrente comercial foi de US$ 39 bilhões de dólares, então ainda há muito para recuperar", afirmou Eduardo.

Conforme Nicolás Caputo, Gerente de Gestão Financeira do Banco da Patagônia, mesmo antes da pandemia o cenário econômico da Argentina já era de recessão. "Durante o período pandêmico, assim como em todo o mundo, a Argentina também passou por grandes dificuldades e uma grande piora econômica, mas estamos em retomada. Já voltamos ao que éramos antes da pandemia", afirma. De setembro de 2021 para cá, segundo ele, o país vem se recuperando, motivado pelo recém-acordo firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), para reestruturar a dívida pública e conter a inflação, e também pela retomada do crescimento da indústria, elevação dos preços das commodities agrícolas exportadas por eles e pelo aumento do poder aquisitivo da população. "As perspectivas são positivas para que a Argentina mantenha uma estabilidade até o próximo ano eleitoral", conclui Caputo.

"Este aumento do poder aquisitivo em momento de arrefecimento da pandemia abre espaço para o nosso mercado", afirma Eduardo Palma de Seixas. Segundo ele, a retomada econômica do país argentino é um momento oportuno para que empresas brasileiras acessem esse mercado, principalmente em alguns nichos e setores específicos.

Pets em alta

Como estudo de caso, Eduardo apresentou o setor de pets, que envolve desde ração, produtos de cuidado (pet care), brinquedos, roupas e acessórios. Ele explica que esse mercado cresceu muito nos últimos cinco anos no país vizinho e, devido ao alto dinamismo atual, promete seguir crescendo nos próximos cinco anos. "De 2016 a 2020 teve um crescimento de 35%, o maior na América Latina. A previsão para os próximos cinco anos é de crescimento de 30% ao ano. Ou seja, é um setor que não pode deixar de estar no horizonte do mercado brasileiro", explicou Eduardo.

O Brasil já é o segundo maior fornecedor de produtos pets para a Argentina, com uma participação de mercado de 17%. "A população de pets da Argentina é a terceira maior da América Latina", reforça Eduardo. "Com o aumento do poder aquisitivo e poder de compra da população argentina, espera-se que os donos de pets fiquem menos sensíveis ao preço e aumentem a demanda por produtos de maior qualidade". Segundo ele, a tendência de preocupação com saúde e bem-estar também está se estendendo ao mercado dos pets.

Edgardo Sanchez, gerente de Créditos Corporativos do Banco da Patagônia, em sua explanação, trouxe ainda outros mercados que a Argentina depende da importação e geram, portanto, oportunidades aos exportadores, como os setores de pecuária, pesca, manufaturados, petróleo e gás, além do setor de construção que, de acordo com ele, está bem aquecido por lá.

Requisitos de Acesso a Mercado

Sobre a regulamentação atual para exportar ao país vizinho, o analista da Coordenação de Acesso ao Mercado da ApexBrasil, Igor Gomes da Silva, apresentou no webinar alguns requisitos exigidos hoje pela Argentina, como a obtenção de Licenças de Importação, através do SIMI (Sistema Integral de Monitoreo de Importaciones), o Certificado de Origem do Mercosul, no caso de solicitação de preferências tarifárias, certificados sanitário ou Fitossanitário - quando aplicáveis e a depender do produto exportado e outros documentos comumente usados em operações de comércio, como: fatura comercial, Packing list, bill of lading, entre outros.

Igor explicou também sobre o Acordo de Complementação Econômica n° 18, que define as preferências tarifárias dentro do Mercosul. Atualmente, todo o universo tarifário se encontra em regime de livre comércio, com exceção de açúcar e produtos automotivos. Para produtos automotivos o comércio entre Brasil e Argentina é regido pelo ACE-14. Na apresentação, também foram citadas algumas instituições relevantes para os processos de exportação à Argentina, como o Senasa - Servicio Nacional de Sanidad y Calidad Agroalimentaria, e a Direcion General de Aduanas. Mais especificamente, para o estudo de caso sobre Pet Food, para produtos de origem animal, também foram apontadas informações relevantes, como a necessidade de apresentação da chamada "Monografia de Processos" e do "Projeto de Rótulo Complementar".

Analía Fernandez, gerente de Suporte à Negócios Comex do Banco da Patagônia, explanou sobre os principais desafios para os empresários brasileiros acessarem o comércio argentino. Para retirar a licença de importação é necessário cumprir uma série de requisitos que muitas vezes demandam longo tempo de análise em função do tipo de produto. "Algo que é desafiador para o exportador brasileiro são os requisitos que o importador precisa cumprir. A licença de importação precisa ser liberada e demanda um tempo que pode durar até 180 dias", explica ela.

Karina Padilha, representante da empresa brasileira Marel S/As, empresa que participa do Programa de Qualificação para Exportação da ApexBrasil (PEIEX) e já exportou para a Argentina, também participou do webinar e confirmou o desafio citado por Analía. Em 2019, sua empresa passou a vender para o país vizinho e, segundo Karina, a maior dificuldade foi justamente o tempo de liberação da licença de importação que o empresário que representava a empresa no mercado argentino teve de esperar. "Foram 65 dias de espera e isso atrasou nossas entregas e a logística", lembra.

No entanto, Karina afirma que exportar foi um grande passo para a empresa, pois qualificou, modernizou, fortaleceu e diversificou os serviços e os produtos. "Em função da pandemia, em 2020 paramos de exportar para a Argentina, mas queremos retomar. Hoje já exportamos para o Uruguai, Paraguai, Chile, Bolívia e mais recentemente passamos a exportar para os Estados Unidos, graças ao apoio da ApexBrasil por meio do programa PEIEX", afirmou Karina.

O Peiex - Programa de Qualificação para Exportação da ApexBrasil, é oferecido pela ApexBrasil para as empresas brasileiras iniciarem o processo de exportação de forma planejada e segura. O Programa é implementado em todas regiões do país, por meio de parcerias da ApexBrasil com instituições locais de ensino e pesquisa, como universidades, parques tecnológicos ou fundações de amparo à pesquisa, além de federações de indústria.

Análise de mercado

Durante o webinar, também esteve presente o Gustavo Melo, analista de competitividade do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), que tem atuado em parceria com a ApexBrasil para a realização dessa websérie. Segundo Gustavo,, todas as falas apresentadas no webinar levam a crer que o cenário é oportuno, mas, como sempre, o empresário deve prestar atenção ao público-alvo, ao perfil da população e às demandas atuais do país de interesse. "Observamos, por exemplo, que na Argentina a maior parte da população é de mulheres e que a preocupação com bem-estar e saúde está em alta neste momento, então é possível observar nichos de oportunidades aí", complementa. Gustavo reforça que "a retomada da economia argentina abre espaço para novas parcerias onde nós temos expertises".

Marcello Martins, representante do Escritório da ApexBrasil em Bogotá, alerta que apesar de o mercado argentino estar mais receptivo, é importante agir em parceria e propor negócios onde ambos os países ganham. "Os números e o tamanho do Brasil às vezes assustam, por isso a abordagem de parceria e propostas que beneficiem os dois lados são muito importantes. Para entrar naquele país é importante saber jogar nas regras daquele país", conclui.

Este foi o segundo webinar da websérie "Direto do Mercado - América do Sul" de 2022. O primeiro foi sobre o Paraguai e os próximos serão sobre Peru, Chile e Uruguai. "É uma iniciativa que visa atender a demanda dos empresários brasileiros que estão iniciando o processo de exportação para terem acesso às informações dos mercados em potencial. A ideia é trazer mais conhecimento para ajudar as empresas a entenderem, analisarem e priorizarem os mercados que elas querem atuar e se planejar", afirma Clarissa Furtado, Gerente de Competitividade da ApexBrasil.

Os webinars já realizados estão disponíveis na plataforma de conteúdo da ApexBrasil https://externo-apexead.talentlms.com/catalog/info/id:256 . Os próximos terão as inscrições disponibilizadas no site da ApexBrasil.

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Fonte: Apex Brasil

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