Ibovespa e dólar recuam com exterior e reoneração

Publicado em 02/03/2023

Os ativos locais registraram performance heterogênea na sessão de ontem, enquanto a decisão do governo de reonerar parcialmente os combustíveis e seus desdobramentos continuaram em pauta por aqui e investidores globais reagiram a dados positivos vindos da China e à perspectiva de juros mais altos por mais tempo nos EUA.

No fim do dia, os juros futuros tiveram comportamento misto, com os vencimentos curtos recuando e os longos subindo. Ao mesmo tempo em que a perspectiva de reoneração é tida como positiva no âmbito fiscal e pode abrir espaço para cortes de juros ainda neste ano, agentes demonstram desconforto com a criação do imposto de exportação de óleo cru e com críticas do governo ao Banco Central. Assim, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2024 caiu de 13,375% do ajuste anterior para 13,295%; e a do DI para janeiro de 2027 subiu de 12,90% para 12,99%.

Já o dólar comercial fechou em queda de 0,62%, cotado a R$ 5,1926, em meio à valorização de moedas de países produtores de commodities com a perspectiva positiva na China. O Ibovespa cedeu 0,52%, aos 104.385 pontos, pressionado por petroleiras, estatais e Hapvida ON, que caiu 32,74% após divulgar balanço.

O pregão foi novamente marcado por reflexos das discussões relacionadas aos combustíveis. Para o gestor da Oby Capital, Camilo Cavalcanti, o aparente sucesso em garantir a recomposição da arrecadação é um bom encaminhamento para o curto prazo e o Banco Central pode considerar esses elementos em breve. "Depois do arcabouço fiscal e da reforma tributária andarem, ainda me parece razoável pensar em queda de juros no segundo semestre", diz.

Mesmo assim, ele demonstra que houve certa insatisfação do mercado com as soluções apresentadas pelo governo. "Foi uma super engenharia do governo. Reoneração parcial com queda de preços da Petrobras, que é um fator circunstancial, junto com imposto temporário sobre exportação [de óleo cru]. Parece um belo exemplo do que é hetorodoxia", avalia.

Ele acredita que a conta vai ser paga pelo setor privado de petróleo. "Do nada, uma canetada pode inviabilizar empresas. O que impede que sejam feitas outras medidas assim? A sinalização parece ser que isso não é um grande problema do ponto de vista do governo. E isso é bem ruim a longo prazo", conclui. 3R Petroleum ON caiu 10,46% e Prio ON recuou 0,95%.

Adicionalmente, a Petrobras anunciou ontem que recebeu ofício do Ministério de Minas e Energia solicitando a suspensão do processo de venda de ativos por 90 dias, o que foi mal recebido por agentes e afetou outras ações ligadas ao Estado, com investidores enxergando um acirramento do discurso intervencionista. Banco do Brasil ON cedeu 3,23% e Eletrobras ON recuou 2,33%.

Os papéis ordinários e preferenciais da Petrobras, por sua vez, fecharam em estabilidade e com alta de 0,24%, respectivamente, com a perspectiva de que a companhia divulgaria balanço e distribuição de dividendos após o fechamento do pregão. "Expectativa de um último anúncio de dividendo forte antes de mudar a política", disse um gestor em condição de anonimato.

No exterior, o discurso duro de membros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) seguiu pressionando as bolsas, mas a leitura positiva do índice PMI industrial da China deu um alento, ainda que pontual. "Nossa única visão mais positiva é em relação à reabertura da China, mas está difícil escolher os ativos. Acreditamos que o benefício maior da reabertura tem a ver com mobilidade e consumo, como mostram os dados, mas os papéis não estão performando por conta da piora nos conflitos geopolíticos do país com os EUA. As empresas ligadas às commodities metálicas estão andando, mas é difícil dizer se têm pernas para continuar", diz Thalles Franco, sócio e gestor da RPS Capital.
Ibovespa e dólar recuam com exterior e reoneração

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Fonte: Valor Econômico

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