Artigo: "O futuro econômico do Espírito Santo passa pela conexão com o mundo"Publicado em 09/10/2026 Por Sidemar Acosta, presidente do Sindiex O Espírito Santo atravessa um período de mudanças importantes em sua estrutura econômica e logística. A expansão da infraestrutura portuária, a chegada de novos investimentos e a ampliação das conexões com diferentes mercados colocam o comércio exterior no centro de uma discussão que vai além da movimentação de cargas. É também uma discussão sobre a capacidade do estado de atrair negócios e ampliar sua participação nas cadeias nacionais e internacionais. Essa transformação já pode ser observada na evolução do sistema portuário capixaba. A Vports, como autoridade portuária que administra os portos de Vitória e Vila Velha, vem passando por uma nova fase de investimentos e gestão. O TVV mantém participação relevante nas operações de contêineres e veículos. Em Aracruz, a Portocel, que iniciou como Terminal de Uso Privado (TUP) e hoje opera cargas de terceiros, consolidou a cidade como polo logístico especializado, ampliando sua atuação e diversificando produtos, com eficiência reconhecida nacionalmente, enquanto novos projetos acrescentam perspectivas à infraestrutura do Estado. Entre eles estão o Imetame Logística Porto, em Aracruz, com novas oportunidades logísticas, e o Porto Central, em Presidente Kennedy, no Sul capixaba, empreendimento de águas profundas em desenvolvimento com potencial para inserir o Espírito Santo nas principais rotas internacionais de longo curso. Esse conjunto de estruturas, em diferentes estágios de operação e implantação, amplia as possibilidades para o Espírito Santo receber, movimentar e distribuir cargas. Também cria uma base para que o estado participe de forma mais ampla das rotas que conectam o Brasil a outros mercados. Para quem atua no comércio exterior, a existência de alternativas logísticas e o aumento da capacidade operacional são fatores diretamente relacionados a custo, prazo e previsibilidade. O Espírito Santo reúne características que podem ser aproveitadas nessa direção. Estamos próximos dos principais centros consumidores e industriais do país, temos uma atividade de comércio exterior diversificada e uma estrutura portuária que vem recebendo novos investimentos. O desafio está em conectar esses ativos de forma cada vez mais eficiente, ampliando a capacidade de atender empresas capixabas e também aquelas que utilizam o estado como porta de entrada e saída para outras regiões brasileiras. Essa transformação ocorre em um momento importante para o comércio exterior brasileiro. A Reforma Tributária vai alterar a dinâmica de custos e decisões das empresas nos próximos anos, enquanto a disputa por investimentos e por rotas logísticas exige condições cada vez mais competitivas. Nesse ambiente, infraestrutura deixa de ser apenas uma questão operacional e passa a fazer parte da estratégia de negócios das empresas. Como presidente do Sindiex, acompanho diariamente o impacto que logística, legislação, custos e infraestrutura têm sobre as decisões de quem importa e exporta. Também vejo a importância de aproximar essa discussão de empresários, investidores e lideranças de diferentes setores. Desenvolvimento econômico não acontece de maneira isolada. Ele depende de conexões entre infraestrutura, capital, empresas e conhecimento. Tenho defendido que o comércio exterior precisa ser tratado como parte da estratégia de desenvolvimento do Espírito Santo. Temos uma base construída e novos projetos em andamento. O próximo passo é ampliar as conexões e transformar essa infraestrutura em negócios, investimentos e maior integração do estado às cadeias nacionais e internacionais. |
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