"Estratégia não é o que você faz - porque executivos não sabem o que é estratégia"

Publicado em 08/04/2026



Um artigo de Gilvan Badke, diretor da EMEG


Em ambientes empresariais cada vez mais complexos, é comum ouvir executivos afirmarem que estão "executando a estratégia” quando, na realidade, estão apenas executando um conjunto de iniciativas ou ações. Essa confusão é extremamente comum — e potencialmente perigosa.

Quando esses conceitos são misturados, decisões importantes tornam-se superficiais, iniciativas perdem coerência e a empresa passa a operar sem uma lógica clara de criação de valor.

A principal razão dessa confusão é o não entendimento exato do que é estratégia, aliado ao uso excessivo da palavra atualmente. Hoje em dia, praticamente qualquer iniciativa é chamada de estratégica. Fala-se em marketing estratégico, finanças estratégicas e até mesmo em estratégias pessoais para melhorar hábitos cotidianos.

Frases como "minha estratégia é fazer isso da seguinte maneira...” são comuns, mas, do ponto de vista conceitual, isso não é estratégia. Trata-se apenas de um plano ou de uma meta.

No contexto empresarial, estratégia possui um significado muito mais específico. Ela representa a lógica que explica como uma organização cria e captura valor no mercado.

Outro ponto frequentemente ignorado é que toda estratégia envolve trade-offs. Escolher um caminho significa, necessariamente, abrir mão de outros. Estratégia exige escolhas — e renúncias. Essas escolhas estruturam o modelo de competição da empresa e orientam todas as suas decisões operacionais gerando vantagem competitiva.

Outro erro comum das organizações é começar o processo estratégico a partir de ambições ou metas financeiras. Muitas empresas definem primeiro onde querem chegar — e apenas depois tentam entender se possuem condições reais de chegar lá. A abordagem correta é exatamente o inverso. Estratégia começa com diagnóstico.

Como forma de tornar o entendimento mais fácil, elaborei a fórmula matemática do que é estratégia, principalmente segundo Michael Porter, considerando o ‘pai’ da estratégia empresarial moderna:(f(DIAGNÓSTICO) + ESCOLHAS) x TRADE-OFFS x SISTEMA INTEGRADO DE ATIVIDADES = ESTRATÉGIA

Ou seja, primeiro a empresa precisa compreender profundamente seu ambiente competitivo, suas capacidades internas e as oportunidades do mercado. A partir desse diagnóstico, são feitas escolhas estratégicas. Essas escolhas implicam renúncias (trade-offs) e, por fim, precisam ser sustentadas por um sistema coerente de atividades.

A execução da estratégia é desafiadora pois leva às empresas e aos gestores um dilema complexo: equilibrar o presente e o futuro. Esse desafio é bem representado pelo modelo de ambidestria organizacional. A organização precisa, ao mesmo tempo: preservar a eficiência do negócio atual e inovar e explorar novas oportunidades.

No final, a diferença entre estratégia e planejamento continua sendo simples, mas profundamente importante. Estratégia explica como o negócio cria valor. Planejamento Estratégico explica como transformar essa lógica em ação.

Muitas organizações possuem metas. Muitas possuem planos detalhados. Mas poucas conseguem explicar claramente qual é a lógica que sustenta sua criação de valor no mercado. E sem essa lógica, não existe estratégia. As empresas não fracassam por falta de esforço. Elas fracassam por falta de clareza sobre onde competir, como vencer e do que abrir mão.

No fim, estratégia não é sobre fazer as coisas bem. É sobre fazer escolhas melhores e atuar onde realmente importa.  "Estratégia não é o que você faz - porque executivos não sabem o que é estratégia"

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